JollyRoger 80´s para as Massas

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Immanuel Kant ‘’ Que é Esclarecimento?’’ (Aufklärung) parte 2



Immanuel Kant pensando a respeito da validade de uma lei salienta que o mais importante e primordial seria perceber se o povo se submeteria a essa lei. Talvez sim. Mas essa submissão se daria durante um certo prazo e a espera de uma lei melhor.


Acrescente-se a isso o fato de todo cidadão, enquanto sábio e principalmente os eclesiásticos o direito de fazer publicamente (através de obras escritas) reparações e melhoramentos.

É proibido unificar-se em uma constituição religiosa fixa da qual não se pode duvidar, mesmo que pelo período de tempo equivalente à vida de um homem. Isso seria a aniquilação de um período de tempo da humanidade em sua marcha ao esclarecimento.

Um homem quando não tem dúvidas adia o esclarecimento.


Kant faz uso de uma série de metáforas para afirmar que negação do esclarecimento pelo homem configura-se numa negação de sua humanidade. Em assuntos que o povo não pôde decidir por si mesmo, o Monarca muito menos pode decidir por eles. Porque sua autonomia legislativa repousa em reunir a vontade geral na sua. Cuidando da ordem civil deve deixar que os súditos sejam livres em relação à salvação de suas almas.

É prejudicial à Majestade quando se ocupa de assuntos pequenos e principalmente quando se rebaixa e apóia o despotismo espiritual de alguns tiranos em seu Estado.

O filósofo alemão não considerava sua época esclarecida, mas uma época de esclarecimento. Em mais uma de suas declarações isentas de eufemismos ressaltou que ainda faltava muito para que os homens fossem capazes de fazer uso satisfatório de seu próprio entendimento em se tratando de questões religiosas. E sem serem guiados por outrem.

O autor tem certeza de que os homens se desprendem por si mesmos e de maneira progressiva de seu estado de selvageria quando não há a intenção de conservá-los nesse estado.

Immanuel Kant ressaltou que deu preferência em acentuar em matéria religiosa o ponto principal do esclarecimento, pelo fato de que nas artes e nas ciências os senhores não tem interesse em manter a tutela sobre seus súditos.

E também a menoridade em relação à religião é a mais prejudicial e desonrosa. Acrescente-se a isso o fato de que, somente um esclarecido, que não tem medo de sombras e detém um grande e organizado exército pode dizer o que não é lícito a um Estado livre ousar.

"Raciocinai tanto quanto quiserdes e sobre qualquer coisa que quiserdes: apenas obedecei!".

Chama atenção para a curiosa ironia da marcha das coisas humanas, onde quase tudo é paradoxal. Parece interessante um povo ter um grau de liberdade civil maior vantajoso para sua liberdade de espírito, mas essa mesma liberdade cria outros tipos de limites intransponíveis. No entanto, um grau menor da primeira acaba dando margem para expansões ainda maiores.


Por tudo isso, se a natureza possibilitou ao homem o desenvolvimento de seu pensamento livre, este atua sobre o modo de sentir do povo. O povo age cada vez mais de acordo com sua liberdade. 

E também termina por atuar sobre os próprios governos, sobre seus princípios. Estes, de maneira conveniente a seus interesses, acabam por tratar o homem (agora mais do simples máquina) de acordo com sua dignidade.



* Parte integrante do trabalho " Immanuel Kant ‘’ Que é Esclarecimento?’’ (Aufklärung)" apresentado na disciplina – Seminário Especial de História Política II. UERJ


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